quarta-feira, 3 de março de 2010

Vias

Vias






Ao chegar em casa, Marina pôde sentir o cheiro de cigarro que vinha da cozinha. Aquilo a incomodava profundamente. Odiava este vício da mãe.

Fechou a porta e jogou a bolsa sobre a mesa, passando direto para o quarto. A cama ainda estava desfeita, e roupas e sandálias caídas no chão eram mordidas por Bruce, o filhote de poodle que Joana, a vizinha, lhe deu de presente.

- Mas que droga! A menina vociferou e o cachorrinho, assustado, enfiou-se embaixo da cama. Amarrando os cabelos, Marina foi juntando tudo com os pés e abaixou-se para pegar as roupas.

A mãe fumava enquanto olhava pela janela protegida por uma tela. Os anéis de fumaça eram cortados pelos fios de nylon que ocupavam aquele espaço de onde se poderia ver a chuva fina que ao tocar o solo fazia levantar uma fina camada de poeira.

A sobreposição dos fios era precisa e, se mudada a perspectiva de quem a olhava, podia parecer um detalhe de chochê e até uma macarronada sem molho.

O barulho da máquina de lavar assustou Beatriz, até então absorta. A filha jogava as roupas com uma raiva que atraiu o olhar curioso da mãe. Mas a garota permaneceu indiferente.

E ali, na cozinha, cada uma delas lidava com suas frustrações da maneira que lhes parecia mais fácil. Fosse chutando e jogando coisas, ou lançando fumaça pelos ares.

                 Vera V

Borboleta



     Borboleta

 
    dispostos com forme pares apostos


lepidipidóptera axiálica completética ergonomímica quadriláptera

sólida assente aspiração dita volátil seja

qual volta diretívica retilímbica retabulárica antiperdulárica

decapralá se se volta sempre regrada bem disposta

nos eixos nus polos nos flapes

                              Lilita

Porta lápis

Porta Lápis




risssca traça passa prime cozinha ordenha alinha


que cruza

quencolhe

quiquebra

ponta seca lápis preto fundo branco barro rosa

apolpa eterna comprida terna cumprida ameaça

                                  
                                                         Lilita